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Neblina transforma o Laranjal em cena misteriosa

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QUANDO A NEBLINA FAZ A GENTE OLHAR PARA PERTO Há alguns anos, observo o Laranjal através da escrita e da fotografia. Entre milhares de imagens feitas ao amanhecer, uma das que mais marcou mostrava justamente aquilo que talvez seja uma das características mais fortes do bairro nos dias frios: a neblina. Ela chega silenciosa, cobre a lagoa, apaga os contornos e transforma completamente a paisagem. Existe um certo mistério nisso. O bairro desacelera, o barulho diminui e tudo parece mais introspectivo. Mas talvez a neblina não seja apenas um fenômeno climático. Talvez ela também nos ensine alguma coisa. Vivemos em uma época em que os horizontes se expandiram demais. Em poucos segundos, através de uma pequena tela na palma da mão, sabemos de guerras, acidentes, crises econômicas e tragédias do outro lado do mundo. As redes sociais nos fazem comparar vidas, rotinas e resultados o tempo inteiro. Enquanto isso, acabamos olhando tanto para longe que deixamos de perceber aquilo que está perto. E talvez seja justamente aí que a neblina tenha algo a dizer. Quando ela cobre o Laranjal, já não conseguimos enxergar tão longe. O olhar, automaticamente, se volta para perto: os passos na calçada, o vento frio da manhã, uma folha de outono caída no chão, o silêncio da lagoa ou um cão parado no trapiche, observando a paisagem sem nenhuma pressa. Os animais parecem compreender algo que nós esquecemos: viver o agora. Talvez por isso as manhãs de neblina despertem tanta reflexão. Elas reduzem o excesso visual do mundo e nos obrigam, de certa forma, a focar no presente. Como na fotografia, a vida também exige foco. Quando tudo está aberto demais, nada ganha nitidez. Uma cama de hospital, por exemplo, tem o poder de mudar completamente nossa percepção sobre o que realmente importa. Quando falta saúde, coisas simples passam a ter um valor enorme: respirar o ar frio da manhã, ouvir o vento, observar a lagoa ou apenas poder caminhar livremente. Talvez a neblina do Laranjal tenha justamente essa função: diminuir o horizonte por alguns instantes para que a gente, finalmente, consiga enxergar o que realmente importa. Fotos e texto por @cassaldiogo

@cassaldiogo
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