Pressão popular obriga Câmara de Pelotas a retirar auxílio-alimentação a vereado
PRESSÃO POPULAR FAZ CÂMARA RECUAR EM AUXÍLIO PARA VEREADORES A retirada do projeto de auxílio-alimentação para vereadores de Pelotas, anunciada nesta terça-feira (26), é mais do que um recuo pontual. O episódio mostra como a reação da sociedade ainda é capaz de frear iniciativas percebidas como distantes da realidade da população. A proposta apresentada previa o pagamento mensal de R$ 906,24 para os vereadores, além dos salários. Bastaram poucos dias para que o projeto provocasse forte repercussão negativa, especialmente nas redes sociais e entre servidores municipais, que enfrentam perdas salariais e cobram reposição diante do aumento do custo de vida. A discussão ganhou ainda mais repercussão porque, desde janeiro de 2025, os vereadores passaram a receber R$ 18.742,91 mensais após reajuste aprovado pela própria Câmara no final de 2024. O aumento representou cerca de 66,7% em relação ao salário anterior, de aproximadamente R$ 11,2 mil. Na prática, o reajuste elevou significativamente o valor bruto dos vencimentos, o que pode ser interpretado como uma forma de compensar as perdas com a dedução de 27,5% de Imposto de Renda. O auxílio-alimentação seguiria a mesma lógica, já que não há incidência do tributo sobre o benefício. Além disso, as sessões ordinárias da Câmara ocorrem às terças, quartas e quintas-feiras, com expediente das 8h às 14h. O recuo foi comunicado em plenário da Câmara Municipal de Pelotas após manifestações públicas de descontentamento. Ao justificar a retirada, o vereador reconheceu o desgaste político e afirmou que não seria “o momento adequado” para avançar com a proposta. Historicamente, o cargo de vereador não foi concebido como profissão exclusiva. Durante décadas, os parlamentares mantinham suas atividades e recebiam apenas valores simbólicos. Esse cenário mudou a partir da Constituição de 1988, que consolidou a profissionalização do mandato. O episódio deixa uma lição: na política, decisões raramente são revistas apenas pelo diálogo. Quando há recuo, costuma vir da pressão pública e da repercussão na imprensa. Mais uma vez, foi a mobilização da sociedade, e não o silêncio, que ajudou a impor limites ao poder. Foto: Divulgação
