A noite de sábado (11) no Theatro Sete de Abril reúne dois grupos que
A noite de sábado (11) no Theatro Sete de Abril reúne dois grupos que representam faces distintas da música pelotense. Às 19h, o Ojuobá – Cantos Sagrados e Populares leva ao palco repertório de Umbanda e Nação; na sequência, por volta das 20h, a Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) apresenta trechos de óperas de Verdi e Bizet. As duas apresentações são gratuitas e integram a semana que celebra os 214 anos da cidade e a retomada do teatro, fechado ao público por 16 anos. Os ingressos podem ser retirados a partir das 9h de quarta (08), na bilheteria do teatro, na Praça Cel. Pedro Osório, 160, no Centro, com limite de dois por pessoa. Memória em presença Para a professora e cantora Dena Vargas, uma das idealizadoras do Ojuobá, cantar as músicas sagradas de matriz africana nesse palco é transformar a memória em presença. Ela lembra que o teatro foi erguido com a riqueza produzida pelo charque, sustentada pelo trabalho de pessoas negras escravizadas — e que, durante muito tempo, elas sequer podiam entrar no prédio. Ocupar esse espaço com os cantos dos ancestrais, avalia, é um ato de reconhecimento, resistência e reparação simbólica, que afirma o pertencimento da cultura e da espiritualidade afro-brasileiras a todos os lugares. Criado em 2016, o Ojuobá nasceu do propósito de valorizar as religiões de matriz africana e sensibilizar o público para a luta contra a intolerância religiosa. Idealizado por Dena Vargas e pela também professora e cantora Daniela Brizolara, vice-prefeita de Pelotas, o grupo reúne atualmente 25 integrantes, entre músicos, cantores e bailarinos, e ensaia no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Suas apresentações combinam música, dança e poesia como forma de resistência e enfrentamento ao racismo religioso.
